A frase desta semana é mundialmente conhecida e descreve um comportamento calculista por parte de alguém que deseja vingar-se mas, em vez de responder a quente ou melhor dizendo ripostar de forma imediata ou quando os atos ou as palavras estão ainda frescos na memória dos intervenientes, prefere esperar por uma oportunidade mais conveniente e, consequentemente, posterior ao momento em que ocorreu o evento ou foi proferida a ofensa.

Essa frase é uma versão mais curta do provérbio a vingança é um prato que se serve frio — que está mais próxima da frase inglesa que apresenta exatamente o mesmo sentido. E, mais do que ser calculista ou uma pessoa que planeia tudo com extremo cuidado e não faz nada senão o que seja do seu próprio interesse, este ditado sugere que a vingança sabe melhor ou tem maior impacto quando — passado muito tempo — já ninguém está à espera que aconteça.

Podemos inclusivamente parafrasear a expressão dizendo que o prazer de nos vingarmos é maior quando o fazemos a sangue-frio ou depois das emoções terem acalmado.

Ninguém sabe de onde surgiu esta expressão mas existem imensos exemplos do seu uso em diversos livros incluindo a novela epistolar Liaisons Dangereuses publicada na França em 1782 e o romance The Godfather do autor americano Mario Puzo. A expressão é também usada como subtítulo do filme de Quentin Tarantino Kill Bill: Volume 1 e é referida como sendo “um velho ditado Klingon” no filme Star Trek II: A Ira de Khan.

Passemos então aos exemplos de uso:

— Porque é que seduziste o meu namorado? Eu achava que nós éramos amigas…
— Porque no liceu tu me roubaste o meu namorado.
— Quem????? O Miguel? Mas isso foi há mais de 15 anos e tu nem sequer gostavas assim tanto dele.
Ou pelo menos era isso que dizias a toda a gente!
A vingança é um prato que se serve frio! Ficas a saber que o Miguel foi o amor da minha vida!!!!!

 

— Já sei que o Horácio foi dizer ao chefe que a culpa do atraso na entrega do trabalho era tua. O que é que vais fazer?
— Agora, não vou fazer absolutamente nada. Vou comer e calar. E esperar calmamente até que surja uma oportunidade para lhe fazer o mesmo.
— Acho que fazes bem! A vingança serve-se fria.

Esta expressão que advoga a paciência para esperar é semelhante a outra que vocês usam em Portugal: quem espera, sempre alcança.

É verdade! A sabedoria popular que essa frase traduz parece querer sugerir que para conquistar o que quer que seja é preciso esperar que a nossa oportunidade chegue da mesma maneira que esperamos pacientemente pela melhor oportunidade para nos vingarmos.

O mais interessante é a existência de uma expressão igualmente popular que sugere precisamente o contrário: quem espera, desespera, isto é, as pessoas que são obrigadas a esperar durante muito tempo frequentemente tornam-se impacientes ou perdem a paciência e a esperança ou sentem-se vítimas de uma enorme contrariedade.

Pois é. A sabedoria popular frequentemente apresenta proposições claras e evidentes ou, numa palavra: axiomas opostos do tipo que acabas de descrever: quem espera, desespera versus quem espera sempre alcança.

No segundo exemplo de uso, usámos uma outra fase idiomática: comer e calar.

É verdade! Comer e calar descreve uma situação em que nos resignamos, conformamos ou sujeitamos a algo.

Essa expressão significa o mesmo que comer ou engolir sapos?

Não! Para a semana explicamos essa expressão.

OUTRAS EXPRESSÕES MENCIONADAS
quem espera, desespera

quem espera sempre alcança


comer e calar

EXPRESSÕES SEMELHANTES EM OUTRAS LÍNGUAS
Revenge is a dish best served cold
La vengeance est un plat qui se mange froide