Gostaríamos de começar o podcast desta semana com um pedido de desculpa pelo interregno provocado por questões de saúde e com uma novidade: a partir desta semana iremos começar a disponibilizar episódios já publicados mas que não foi possível transferir do velho para o novo portal do Say it in Portuguese. Assim, para além do habitual podcast iremos também colocar semanalmente no site mais uma expressão idiomática. Esses podcasts antigos só estarão disponíveis no nosso site e não serão divulgados no SoundCloud ou iTunes. Obrigada pela vossa compreensão.

A expressão desta semana é conhecida em muitos países e há até quem acredite que a sua origem é bíblica. Este provérbio sugere que se pode conhecer as qualidades de um indivíduo pelos amigos que ele tem ou pelas companhias que mantém. Existem duas variações deste ditado:
Diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és
Diz-me quem são os teus amigos e dir-te-ei quem és

É comum as pessoas associarem-se a outras que partilham do seu modo de estar na vida ou a sua forma de pensar e portanto não é difícil de perceber como o comportamento coletivo de um grupo de amigos poderá definir as qualidades humanas de cada um dos seus membros.

Uma curiosidade desta expressão é o uso da mesóclise ou melhor dizendo da colocação do pronome entre a raiz e a terminação do verbo que apenas acontece nos tempos verbais do futuro e condicional. Esta frase pode assim ser usada como exemplo para explicar esta peculiaridade da língua portuguesa falada no continente europeu.

No Brasil, também se usa a mesma expressão mas de acordo com as regras daquela variedade da língua portuguesa o pronome coloca-se antes do verbo e portanto o que se ouve no outro lado do Atlântico é: Diga-me com quem andas e eu te direi quem és

Já em episódios anteriores apresentamos expressões ou provérbios que se contradizem e a expressão desta semana também se pode contrapor com outra que recomenda que não se julguem as pessoas com base nos amigos que tem, ou mais especificamente na sua aparência externa: o hábito não faz o monge.

Não acredito que hajam muitas sociedades onde as pessoas não sejam julgadas pela sua aparência física, o modo como se vestem, os sítios que frequentam ou as companhias que mantêm. Mas esses juízos de valor feitos com base em aspectos superficiais são, na grande maioria das vezes, preconceituosos e completamente errados. Cada um é como cada qual ou melhor dizendo cada pessoa é um indivíduo e não devemos nunca julgar ninguém apenas com base numa primeira impressão.

Existem ainda mais duas frases que aconselham prudência no momento de julgar os outros simplesmente pela sua aparência. A primeira constata uma lógica: as aparências iludem e a segunda é retirada duma frase do livro sagrados dos católicos: lobo em pele de cordeiro.

A sabedoria popular oferece muitas provas de como as primeiras impressões que formulamos são frequentemente enganadoras ou até mesmo incorretas e daí a existência de tantas frases com a mesma advertência.

OUTRAS EXPRESSÕES MENCIONADAS
o hábito não faz o monge
as aparências iludem
lobo em pele de cordeiro

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