A expressão não mata mas mói quer simplesmente sublinhar o facto de alguém ou alguma coisa ser chato ou incomodativo.

É frequente associarmos esta expressão a diferentes tipos de dor. Uma dor súbita e aguda como, por exemplo, aquelas que são causadas, por um corte, uma queda ou um embate é geralmente de curta duração. Se o corte, a queda ou o embate for grave ou localizado numa zona sensível do corpo humano pode causar a morte do indivíduo e daí a relação entre este tipo de dor e a morte. As dores ligeiras ou fracas mas mais permanentes e persistentes, vulgarmente designadas por moinhas, estão habitualmente relacionados com estados crónicos nos quais a morte não é iminente. Estas dores não chegam a impedir os sofredores de viver normalmente mas, porque estão sempre presentes, são incomodativas. Quando dizemos que algo não mata, mas mói queremos sugerir que, tal como uma moinha, a pessoa ou situação não é necessariamente má ou perigosa mas acaba por nos aborrecer ou perturbar sobretudo devido à insistência ou persistência. O verbo moer que quer dizer “triturar ou reduzir a grão ou a pó” alarga-se para abranger o sentido de chatear ou maçar como na expressão moer a paciência que é sinónima de azucrinar a cabeça. A primeira é mais frequentemente usada em contextos informais ou semi-formais por pessoas mais velhas enquanto que a segunda é a expressão preferidas dos jovens em contextos informais. Acrescente-se ainda que esta última expressão é bastante mais comum na variedade do Português do Brasil.

Alguns exemplos de uso seriam:

As críticas pouco construtivas não matam mas moem.

A minha ex-namorada não desgruda, dia-sim, dia-não arranja um pretexto qualquer para me telefonar. Este tipo de comportamento não mata mas mói e confesso que estou a ficar farta!

Respeito muito o direito à greve dos trabalhadores, mas na maior parte dos casos estas greves moem mais do que matam

 

Nas próximas semanas iremos a banhos, isto é vamos de férias. A expressão ir a banhos significa fazer uma pausa no trabalho mesmo quando não sofremos de nenhuma doença que possa beneficiar de exposição ao sol ou da ingestão ou imersão em certas águas. Podemos inclusivamente ir a banhos quando não está implícita uma viagem até uma zona de praias ou termas e apenas queremos expressar a ideia que vamos fazer ou tirar férias.

Considerando que Portugal continental tem 1230 km de costa não nos podemos espantar que um dos destinos de férias preferidos dos portugueses seja ir à praia, apanhar sol, bronzear-se e tomar banho no mar.

O costume de tomar banho no mar parece ter sido introduzido no país pelo rei D. Carlos I (1863-1908) que ia frequentemente nadar na baía de Cascais. Este costume foi popularizado depois do 25 de abril de 1974 quando o direito a férias pagas deixou de ser um privilégio de alguns para abranger a maioria da população.

Agosto é o mês preferido pelo portugueses para ir a banhos e portanto a maior parte das coisas funciona apenas a meio gás. A publicação do nosso podcast também vai entrar de férias até ao final do mês.

Boas férias a todos os nossos ouvintes.

OUTRAS EXPRESSÕES MENCIONADAS
moer a paciência
azucrinar a cabeça

dia-sim, dia-não
estar / ficar / andar farto de alguém / de alguma coisa
funcionar a meio-gás