A polémica contratação de Durão Barroso pela Goldman Sacks continua a ser discutida a nível nacional e internacional e a fazer manchetes um pouco por todo o mundo. Podemos dizer que é um tópico que anda nas bocas do mundo. Outra maneira de descrever esta situação é dizer que o assunto está ou continua na berlinda.

O sentido das expressões fazer manchete e andar nas bocas do mundo é, pelo seu contexto, bastante claro. Uma manchete é um título de um artigo de jornal ou revista geralmente em “letras gordas” isto é letras a negrito e/ou em maiúsculas, cujo tamanho é maior que o resto do texto para que se destaquem e atraiam dessa forma a atenção dos leitores para o artigo, levando-os a adquirir ou comprar o jornal. Há inclusivamente uma frase que descreve o interesse meramente superficial num determinado assunto: ler as gordas. Nesta frase subentende-se que os leitores apenas se interessam por ler as manchetes, os títulos ou as letras gordas que apenas destacam uma ideia, geralmente a mais polémica, e não se preocupam em saber mais ou conhecer os pormenores descritos no texto da notícia ou artigo.

Mas voltando à vaca fria ou ao idiomatismo que estamos a tentar explicar: fazer manchete designa assim um assunto ao qual os jornalistas atribuem uma enorme importância e transformam dessa forma num tópico da atualidade noticiosa.

Quando um número cada vez maior de pessoas começa a falar sobre um determinado tema da atualidade ou a debater uma novidade, este passa a andar nas bocas de toda a gente ou de todo o mundo.

Ambas as expressões pretendem assim descrever uma temática que captou a atenção ou gerou o interesse do público e, em consequência disso, é conhecida e mencionada por um grande número de pessoas.

No seu livro, cujo título recorre a um jogo de palavras precisamente com a expressão nas bocas do mundo, Sérgio Luís de Carvalho sugere que a origem possível desta expressão seja uma berlinda isto é um pequeno mas muito elegante coche de quatro rodas criado na cidade alemã de Berlim no século XVII (2014: 157). A elegância destas carruagens, conhecidas em Portugal como berlindas, era tal que os seus ocupantes passaram a ser muito falados por quem os via passar. E daí a expressão andar na berlinda passar a designar uma pessoa ou um assunto muito comentado ou mencionado.

A sentença andar na berlinda tem exatamente o mesmo significado que as frases descritas nos parágrafos anteriores mas o seu sentido não é tão óbvio porque a palavra berlinda há muito que deixou de ser um objeto de uso frequente na sociedade moderna.

Algumas pessoas acham que o que é importante é que falem delas e não se incomodam se dizem bem ou mal ou se o que circula sobre elas é verdadeiro ou falso. Mas outras há que se cansam de estar ou andar nas bocas do mundo. Na mesma semana em que Durão Barroso andava na berlinda, a atriz norte-americana Jennifer Aniston escreveu um blog a queixar-se do escrutínio ou interesse excessivo dos mídia no facto de estar ou não grávida. Creio que todos reconhecemos que a obsessão constante nas vidas privadas das celebridades não mata mas mói isto é pode até não ter a intenção de prejudicar ninguém mas acaba por ser um enorme incómodo para quem é vítima deste tipo de assédio.

 

 

Em Agosto iremos a banhos isto é faremos um pequeno interregno na publicação do nosso podcast para ir de férias mas antes de o fazermos vamos explicar em maior detalhe as frases idiomática que usámos no podcast de hoje: voltar à vaca fria, não mata mas mói e ir a banhos.

OUTRAS EXPRESSÕES MENCIONADAS
fazer manchete
andar nas bocas do mundo