Mais uma vez o sentido literal ou denotativo de uma expressão ajuda a compreender o seu significado figurativo ou conotativo.

Quando necessitamos de percorrer um longo caminho, a melhor forma de o fazer é devagar, sem pressas, com toda a calma do mundo pois assim não nos cansamos tanto e apesar de demorarmos mais tempo chegaremos com certeza ao nosso destino. Da mesma forma quando queremos alcançar um objetivo ou realizar uma tarefa a melhor forma de o fazer com sucesso e qualidade é com tempo, paciência e obstinação.

É impossível não associar esta expressão à fábula de Esopo que coloca frente a frente numa corrida uma lebre e uma tartaruga. No episódio narrado por Esopo, uma tartaruga — um animal que não se desloca com muita rapidez no mar e é particularmente lento a mover-se em terra desafia para uma corrida um animal que se gaba de ser o mais veloz de todos: a lebre. No dia da corrida, assim que se ouve o sinal de partida, a lebre dispara a toda a velocidade deixando a tartaruga para trás caminhando no seu passo lento mas determinado.

A lebre está de tal forma convencida que não terá qualquer dificuldade em vencer esta corrida que decidi parar para dormir uma sesta. Enquanto a lebre dorme, a tartaruga ultrapassa-a na sua marcha vagarosa mas constante. Quando a lebre acorda e retoma a corrida, descobre que a tartaruga estava à sua frente e iria cruzar a meta em primeiro lugar.

A moral desta história é que as nossas competências físicas não servem para nada sem determinação ou aplicação e tenacidade ou persistência. E podemos resumi-la recorrendo à expressão devagar se vai ao longe.

Esta expressão apresenta as seguintes variantes: devagar e sempre, a pressa é inimiga da perfeição e ainda depressa e bem, não há quem e todas elas advertem para o facto da presunção e rapidez ou celeridade terem um impacto negativo na realização de uma tarefa pois quando se tenta fazer algo apressadamente ou pensamos que somos tão bons numa tarefa que não precisamos sequer de nos esforçar para a completar, o resultado final é muitas vezes deficiente ou insuficiente.

Tal como a fábula de Esopo, este axioma elogia a modéstia, a perseverança, a insistência, a consistência e a disciplina e critica a presunção, a precipitação, a pressa, a leviandade e a falta de rigor.

Esta expressão também faz lembrar o provérbio descrito no podcast 17 grão a grão enche a galinha o papo que descreve uma situação em que temos de ter paciência e perseverança para alcançar os nossos objetivos. A diferença entre as duas expressões está no procedimento a adoptar. Na primeira expressão o que se pretende valorizar é a ideia de amealhar ou poupar e a necessidade de fazer as coisas passo-a-passo ou pouco-a-pouco enquanto que na expressão de hoje o que se pretende enaltecer é o cuidado, empenhamento e tempo precisos para alcançar um objetivo ou realizar uma tarefa com qualidade e perfeição.

Eis alguns exemplos de uso:

É bem verdade que depressa e bem, não há quem. Terminei o exame numa hora mas fiz imensos erros básicos e, consequentemente, tive uma nota péssima.

Pediram-me para fazer uma tradução “para ontem” — será que as pessoas não compreendem que a pressa é inimiga da perfeição e que uma tradução feita atabalhoadamente por falta de tempo é, e será sempre, uma tradução mal feita?

Devagar e sempre a publicidade vai-se transferindo para as redes sociais.

No mundo empresarial é preferível um crescimento moderado e constante a um sucesso viral… ou como diz a sabedoria popular: devagar se vai ao longe.

OUTRAS EXPRESSÕES MENCIONADAS
depressa e sempre
depressa e bem, não há quem
a pressa é a inimiga da perfeição

EXPRESSÕES SEMELHANTES USADAS NOUTRA(S) LÍNGUA(S)
he who treads softly goes far
make haste slowly

慢行方能致远

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