A língua é sobretudo um instrumento de comunicação oral e, como notou o linguista George Kingsley Zipf, nos anos 40, nem o orador nem o seu ouvinte desejam esforçar-se mais do que o minimamente necessário para se compreenderem. Zipf aplicou o Princípio de Menor Esforço aos seus estudos de linguística e, na minha opinião, este Princípio ajuda a explicar as divergência que existem em relação à formulação mais correta da expressão idiomática desta semana.

Uma breve pesquisa na internet revela a falta de consenso obre a maneira como esta expressão se deve dizer entre sea expressão desta semana se deve dizer como quem não tem cão caça como gato ou quem não tem cão caça com gato.

O que mais frequentemente se ouve dizer é quem não tem cão caça com gato — usando a preposição com muito provavelmente porque é  bastante mais fácil e requer muito menos esforço de articulação do que recorrer à conjunção com para dizer quem não tem cão caça como gato.

Esta pequena nuance entre a preposição e a conjunção dá, no entanto, origem a interpretações completamente diferentes. Se optarmos pela conjunção como então o que estaremos a sugerir é que realizemos a caçada como fazem os gatos de forma astuta e traiçoeira, escondendo-se e esgueirando-se até apanhar a sua presa desprevenida. Mas, se usarmos a preposição com estamos a sugerir que, na impossibilidade de usar um cão para caçar, podemos substituí-lo por um gato para alcançar o mesmo objetivo.

O significado desta frase está associado à necessidade de usarmos todos os meios ao nosso dispor para alcançarmos os nossos fins e sobretudo não desistir ou ficar desiludido se não estiverem reunidas todas as condições para procedermos. Esta expressão pode assim explicar-se como sendo um elogio à capacidade que todos temos de remediar ou seja de usar ou recorrer a opções ou instrumentos alternativos em vez de desistir.

É verdade que é muito mais fácil imaginar um caçador a recorrer a outras estratégias de caça, mais semelhantes às usadas por um caçador solitário como um gato, do que imaginar um gato a substituir um cão numa caçada e daí a preferência demonstrada por alguns internautas para a frase que usa a conjunção como.

Acrescente-se, no entanto, que se considerarmos que esta expressão tem como principal objetivo sublinhar a importância de utilizar ou recorrer a outros meios, opções ou alternativas, inclusivamente àqueles que não são os mais óbvios ou sequer os mais apropriados — como um gato a realizar as tarefas de um cão durante uma caçada — então teremos que admitir que a frase que usa a preposição com ilustra bastante melhor o significado desta expressão.