Tal como há provérbios que se contradizem (veja-se os exemplos apresentados no podcast 42), outros existem que expressam a mesma ideia. Hoje explicamos o significado de dois provérbios deste género. O primeiro é pela boca morre o peixe. 

Na pesca à linha ou melhor dizendo no processo de apanha de peixe — desportivo ou profissional — que recorre a uma cana de pesca, os amantes desta prática colocam um isco no anzol e deitam-no à água com a esperança de um peixe, atraído pelo petisco que lhe colocaram à frente, morder o anzol e ser dessa forma fisgado ou apanhado.

Da mesma maneira que um peixe é apanhado porque comeu o que não devia, também as pessoas dizem, por vezes, coisas que não deviam. Quando queremos descrever uma situação em que alguém se contradiz ou mente sobre um determinado assunto e acaba — sem querer — por se prejudicar a si própria, então usamos a expressão pela boca morre o peixe. Eis um exemplo de uso:

Quando o confrontei sobre onde e com quem tinha passado a noite, começou por dizer que tinha estado a estudar em casa de um amigo. E quando lhe disse que tinha telefonado para casa de todos os seus amigos e ninguém sabia dele, ele ficou sem palavras… É um caso clássico de pela boca morre o peixe.

O outro provérbio é mais depressa se apanha um mentiroso que um coxo. Lida, literalmente a expressão sugere que é mais fácil apanhar alguém a mentir do que uma pessoa coxa ou com um problema numa perna que lhe dificulta o andar ou a mobilidade. A situação que descreve é, assim, muito semelhante a pela boca morre o peixe pois também pretende fazer referência a uma circunstância em que as palavras ditas expõem uma contradição ou até uma mentira, como no seguinte exemplo:

Mais depressa se apanha um mentiroso que um coxo: ontem disseste-me que não te podias encontrar comigo porque tinhas uma consulta no dentista. Mas hoje, quando te perguntei como tinha corrido a consulta, não sabias do que é que eu estava a falar… Afinal foste ao dentistas ou era uma desculpa esfarrapada para não te encontrares comigo????

Note-se que nos dois exemplos apresentados, podemos substituir uma expressão pela outra e sem alterar o significado da frase.

OUTRAS EXPRESSÕES MENCIONADAS
Mais depressa se apanha um mentiroso que um coxo
desculpa esparrapada

EXPRESSÕES SEMELHANTES USADAS NOUTRA(S) LÍNGUA(S)
Más deprisa se coge a un mentiroso que a un cojo
lame excuse