A expressão “comer com os olhos” tem um sentido bastante literal. Olhamos para a comida mas por algum motivo não a podemos provar e portanto temos que nos contentar em “comer” apenas com o olhar.

Parece que a expressão teve origem nos rituais fúnebres do Império Romano... 

É verdade. Era habitual nos funerais da Roma Antiga realizarem-se grandes banquete em homenagem aos mortes, mas os vivos não podiam comer aquela comida e portanto tinham de se contentar em admirar os muitos pratos preparados para “oferecer” ao morto. Esta expressão é assim usada em diversas circunstâncias em desejamos comer ou obter alguma coisa mas que somos obrigados a contentarmo-nos com o olhar. Eis alguns exemplos:

Esta pastelaria tem a maior variedade de bolos e doces tradicionais portugueses.
Gosto de vir aqui só para comer com os olhos.

 

— Anda passear comigo no centro comercial.
— O que é que vais comprar?
— Absolutamente nada! Estamos no fim do mês e eu já não tenho dinheiro mas gosto de ver montras e comer com os olhos

 

Ele estava à procura de um presente para oferecer à sua namorada mas naquela loja era tudo tão caro que se limitou a comer com os olhos.
 

— Este buffet é espetacular!!!! Tem tanta variedade de comida que nem sei por onde começar a provar...
— Para mim é uma verdadeira tortura porque estou de dieta rigorosa e tudo o que posso fazer é comer com os olhos.

É verdade que não comemos apenas para saciar a fome e apreciar uma boa refeição começa quando os pratos chegam à mesa e os admiramos com os olhos. Os chefes de cozinha sabem isso melhor do que ninguém e por isso se esforçam tanto para criar pratos que não sejam apenas saborosos mas também coloridos e cuja apresentação seja esteticamente equilibrada. Neste restaurantes, os pratos que são servidos parecem-se com pequenas obras de arte. 

Pois é. A experiência gastronómica dos clientes destes restaurantes começa por ser visual — comemos literalmente os pratos que nos servem com os olhos e só depois é que os saboreamos. Se gostamos do que vemos, o mais provável é que o sabor do prato que nos está a ser servido também nos agrade. Esta é portanto uma estratégia de marketing: primeiro aliciam-nos com o visual da comida, segue-se o prazer de saborear aquela obra-prima culinária e, com alguma sorte, ficamos também saciados da fome.

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