Usamos esta expressão para descrever uma situação em que alguém está a falar para um ouvinte que não entende ou não está minimamente interessado no assunto. É uma forma indireta de criticar quem nos está a ouvir, sugerindo que não se interessa pelo assunto ou não tem conhecimentos suficientes para perceber o que está a ser dito. Eis um exemplo de uso da expressão:

Várias agências publicitárias vieram à empresa apresentar as suas ideias para a próxima campanha promocional da empresa. Todas estiveram, no entanto, a pregar aos peixes, pois na realidade já tinha sido tomada uma decisão sobre quem iriam contratar.

Tendo em conta que a água não é o melhor canal para conduzir o som, e que os ouvidos dos peixes não serão tão apurados como os de outros animais, tentar ter uma conversa com peixes é uma tarefa no mínimo difícil, talvez até uma perda de tempo. Assim, esta expressão pode também implicitamente criticar os oradores que, apesar de saber que os seus ouvintes não estão interessados no que têm para dizer, insistem em continuar a falar, desperdiçando tempo a fazer uma coisa que obviamente não dará resultado nenhum. Outras expressões usadas com o mesmo sentido são: “falar no deserto” onde não está ninguém para nos ouvir e “falar para o boneco” que simplesmente não nos ouve. Às vezes, esta situação acontece de forma acidental. Eis um exemplo:

Estive mais de 10 minutos a falar para o boneco antes de me aperceber que a minha ligação à internet não estava a funcionar.

Acredita-se que a expressão pregar aos peixes tem origem numa história lendária cujo protagonista principal é Santo António — o santo casamenteiro de Lisboa, onde nasceu em 1191, também conhecido como António de Pádua, pois foi nessa cidade italiana que faleceu em 1231. António foi frade de duas ordens religiosas católicas e se distinguiu pelos seus dotes como orador. Um dia, triste por não conseguir que as pessoas ouvissem e se convertessem à sua palavra, decidiu pregar ou falar com os peixes. Conta a lenda que ao ouvirem as eloquentes palavras de António, os peixes vieram à superfície da água e colocaram as suas cabeças de fora para melhor o ouvir.

Quatro séculos mais tarde, um outro António recorreu a esta lenda para escrever um discurso moral de teor religioso que ficou conhecido como “O Sermão de Santo António aos Peixes”.

Este António, de apelido Vieira, nasceu em Lisboa em 1608 e tornou-se membro da Companhia de Jesus. Este padre jesuíta tornou-se missionário e passou largas temporadas no Brasil. Foi lá que, em 1654, escreveu este seu famoso sermão que tinha como objetivo criticar o comportamento dos colonos portugueses que viviam em território brasileiro e defender a população nativa que estava a ser vítima de muitos desses comportamentos pouco justos ou cristãos.

O sermão é uma alegoria, isto é apresenta um argumento de forma indireta. Em vez de criticar diretamente os homens, Vieira seleciona um conjunto de peixes para louvar as suas virtudes mas também criticar os seus vícios. Estes peixes são metáforas dos seres humanos que Vieira queria criticar.

EXPRESSÕES SEMELHANTES USADAS NOUTRA(S) LÍNGUA(S)
fall on deaf ears
對牛彈琴   

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